Filha da Mãe

-Anastácia, como esta o teu bebé? Perguntou o Hugo.

-Não tenho bebé, infelizmente abortei aos três meses. Respondeu esta.

- Oh que pena, os meus mais sinceros pêsames. Lamentou o Hugo

Seja bem-vinda, é bom ter-te entre nós. Qualquer dia destes passa lá por casa. Passe bem. Despediu-se o Hugo.

Anastacia é uma jovem que deu muita badalada na banda. Sua presença era sempre notória pelas curvas que ostentava e por ser uma excelente conversadora. Provocou muitas brigas entre casais e com frequência alguma vizinha stressada vinha tirar satisfação acerca de seu adorado marido apanhado nas garras de Anastácia.

Era daquelas miúdas extravagantes, excelente companheira, dona dum vasto conhecimento em gastronomia, sempre actualizada. Ela proporcionava momentos divertidos e não só. Era manhosa, apercebendo-se da carência de muitos machos, começou a usar o seu charme para sobressair na vida.

Formou um grupo de adeptas, arrendaram uma suite numa área urbana, onde recebiam vários visitantes. Quem fisgava primeiro, dava um toque e as outras desapareciam para que esta prestasse seus serviços. Anastácia era a mais solicitada, daí que ela até prestava serviços de vária ordem, como noitadas que começavam numa disco ou restaurante, acompanhante em picnics, praias, excursões e mesmo em viagens periódicas com papoites que retribuíam com excelentes favores.

Era tão encantadora que refutou várias propostas sublimes de homens traídos, amargurados, separados, viúvos. Ela porem estava em outra dimensão. Suculenta, gostosa e charmosa, ela passeava sua beleza para o bolso mais recheado. O céu era o limite.

Todavia, como a natureza tem suas regras, ela descurou algumas medidas e no regresso de uma das viagens, as amigas foram notando uma súbita mudança de comportamento nela. Evitava convívios, evitava saídas. Estava mais irritadiça e isolava-se muito. Tinha muito cuidado com o enumero lixo que fazia. No inicio a desculpa era o cansaço da viagem, este que não acabava nunca. Porem as amigas foram dando conta de enjoos frequentes e tinha muito papel higiénico e lencinhos para escarrar. Aí aumentou a especulação e curiosidade por parte das amigas. Como as evidências foram acumulando-se e ela não tinha como rebater, optou por retirar-se, mudando para a casa de uma prima sua.

-Anastácia, quando é que nos vais apresentar o pai da futura bebé? Perguntava a prima

-Ele esta de viagem, todavia no seu regresso vou providenciar o encontro. - Respondia esta.

Na realidade, Anastácia estava a experimentar uma situação difícil. O suposto pai da bebé, assim que tomou conhecimento da situação, demarcou-se de encontros e passou a apoia-la a distância por terceiros. Como de praxe, havia sempre uma desculpa para não aparecer, até que Anastácia finalmente acordou do sonho.

Conforme dizia minha avo:”Essa, já esta arrumada.” De facto, as gravidezes não planificadas, obtidas por meios de diversão, sem compromisso, são um deus que nos acuda.

Engraçado é que a estória se repete mais e mais em todas as gerações. Experimentam a mesma situação e não há como fugir disso.

“O amor é gostoso, envolvente e traiçoeiro.”

Anastácia entrou em depressão profunda, fechou-se ainda mais e o seu quadro depressivo subiu a pico. Para evitar situações a prima pediu que Anastácia fosse para sua mãe por formas a ter um acompanhamento extensivo. Esta aceitou, pegou em suas trouxas e pôs-se a monte.

Volvidos 6 meses a nossa linda Anastácia reaparece em casa da prima, desajeitada, sem aquele brilho e isenta do bundão pecaminoso, sobretudo viva e com muitos quilinhos a menos . Como de praxe vendo ela sem bebé ao colo, a prima e amigos indagaram-na sobre o pequenote, o futuro.

Para lamento geral ela respondeu: -Não souberam! Perdi o bebé. Oh, que pena.- Disseram em uníssono – Os nossos sentimentos.

- Eu pensei que a mamã, comunicou-vos. Rematou.

Afinal de contas, o bebé foi para as estatísticas, o coitado, inocente, foi deixado numa sargeta algures, pagando pela rejeição do pai, numa negligência e crime da mãe.

Não sei o que sue dizer-se nestas alturas, porem bisbilhistas, o que fazer dessa mãe?

Anastácia despediu-se da prima e regressou a casa das amigas onde ela era a anfitriã.

Foi recebida com olhares interrogadores e ela seca e simples comentou. -“ Estou de volta a ribalta. Ninguém paga uma fresquinha?”

Como pai, eu tenho experimentado grandes momentos de felicidade plena, acompanhando o despontar de minha flor. Recordo-me ainda a primeira vez que ela deu uma citação que me atingiu tão profundamente:”O papá me magoou muito.” Olhei para o meu rebento incrédulo e disse para mim mesmo: “Droga, onde diabo essa menina tirou isso?”. Na verdade, deu-me muito gozo notar as transformações conscientes de uma criança de 4 anitos, pu-la ao colo e ficamos conversando, conversando mesmo. Eu a via como alguém que merecia compreensão. Comecei a ter cuidado com meus actos, minhas expressões. Comecei a traduzir para ela e explicar-lhe as novas situações da vida. Deixou de ser aquela criança e estava a integrar-se no contesto social. Aprendi a respeitar as crianças. Foi uma grande lição de vida.

Quiçá por eu passar muito tempo fora e longe dela, eu faça sempre grandes planos para ela. A minha cassule faz muita coisa nova em cada período que passamos juntos. Outra coisa que muito prazer me dá, são os segredinhos dela:”Papá vou te dizer uma coisa, mas não diz nada na mamã, ya. Abaixa para ninguém ouvir.” Meu deus, qual será a granada desta vez? Olho para ela cúmplice, meigo e receptivo. Aí ela faz um pedido, dá um conselho ou uma ideia. Temos experimentado momentos sinceros de alegria.

Tudo para dizer que não fui eu que a transportei nove meses no ventre, não vivenciei as transformações todas que uma gestação acarreta. As grávidas comem atoa e são atoa. Então quando ela sente os primeiros movimentos do feto, ter noção de que uma vida nova cresce dentro dela,  É certo que nem tudo é um mar de rosas, todavia, nada que não se contorne, inclusive naquelas situações de oscilação da tensão arterial, dores em baixo do colo do ventre.

 O gozo da maternidade é muito maior. Por isso eu ainda acredito que essas mães revoltadas, devem retratar-se.

A Sociedade, as organizações femininas devem criar uma instituição legal, onde as mães incapazes poderiam levar os filhos indesejados para serem adoptados por quem pretender e com regras claras. Depois da mãe colocar ai o filho, perdia o total direito sobre ele, para que não houvesse Sras. Aproveitadoras. Os dados dessas Sras. Seria omisso e essas instituições se responsabilizariam pelas crianças. Também tinha-se que ter em conta a idade. Os maiores de idade iriam para o INAC.

Essas e outras soluções iriam diminuir situações do género. O Executivo tem de levar a peito essa situação.

Esse bisbilho tem de se diminuir.

Bisbilhitas, essa mãe é assassina. O que mais ela pode fazer para a sociedade?

BUROCRACIAS NOS SÉRVIÇOS PÚBLICOS

Perguntei em alguma pessoas, os requisitos para renovar o meu B.I., pois encontra-se o anterior desaparecido. Munido da informação, acordei a madrugada. É isso, ao cantar do galo, naquela hora do prazer carnal reavivante. Tal era o inconformismo que a esposa sussurrou aquele umh e eu corajosamente finge não entender. Pus-me a caminho, amaldiçoando-me pela negligência de ter que experimentar tal situação. Acabei me conformando com o anseio de vingar-me nessa noite.

Cheguei ao sector de identificação do kilamba e haviam 6 pessoas retorcidas no seu cantinho, dormitando, deram-me a lista e cabia-me o nº 27. Confuso perguntei o que era aquilo. Alguém como voz sonolenta, respondeu: “Mano, te de adicionar o nome na lista”. “Mas, aqui somos apenas sete comigo? Onde estão os outros? Perguntei.

Então respondeu-me uma voz sonâmbula: “Cota, eu fui o primeiro a chegar e já encontrei a lista com 13 nomes.

Acordei, afinal de contas assim funcionam as coisas por cá. Acomodei-me na viatura esperando a hora passar. O número de necessitados aumentou e a lista foi subindo. Aproximava-se a hora e então começaram os movimentos de organização ou seja fazer fila. Aliás bicha. Uma palavra que nos persegue. Foi bicha na Empa,  bicha na egrosbal, nas lojas do povo. Foi bicha, é bicha e não sei quando esssa palavra vai sair do nosso dicionário. Havia inclusive Maria da bicha, João da bicha. Era uma sociedade de bicha crónica. Havia os que marcavam o lugar com pedra e a coisa desenvolveu-se até alugar-se serviço de bicheiros.

O agente da polícia que estava a alinhar o pessoal, chegando a minha vez olhou para mim todo fanfarrão e rematou:” É o Sr. Fulano, não é? Pensei em negar, porem acendeu-se uma lâmpada dentro de mim que os meus lábios soltaram um som ininteligível, quiçá alguém entendeu, assim apenas acenei positivamente a minha cabeça. O agente pegou em mim e colocou-me em sétimo lugar em frente do rapaz que dissera-me que tivera chegado em primeiro. Afinal de contas eu era o 7º e não sabia. De vergonha, evitei olhar para trás. Depois chegou um funcionário, cuja missão era interrogar o pessoal por formas a elucidar a cada cliente os requisitos documentais de acordo a cada necessidade. Fui infeliz, pois que, apôs explicação do funcionário, devia portar-me de uma declaração policial sobre a perca do B.I.

Qual Louis Hamilton, dirigi-me a esquadra da polícia do Kilamba, entrei e no gabinete respectivo encontrei duas Sras agentes e dois Srs. Agentes. Uma delas fez-me um RX completo e perguntou:” Urgência é 2000 kzs e para receber daqui a dois dias é 500 kzs”. Não entendi patavina e perguntei: É comigo? Claro disse-me ela. Então continuei: “ A Sra. Esta a referir-se a declaração sobre a perca de documentos? “É sim Sr.”- Respondeu ela.

Aceitei urgente, pois precisava do documento, tirei os valores de pagamento do bolso e quando a agente reparou que eu devolvia ao bolso o remanescente, aí a Sra. Agente foi a carga: “E a minha gasosa?” Aí eu saltei, onde é que estamos afinal? Que sociedade é essa em que as agentes de autoridade não têm escrúpulos que nem respeitam a camisa que usam e a casa que prestam serviço? Interroguei-me interiormente. Nem a minha surpresa sensibilizou os agentes. Nenhum deles deu aquele olhar reprobatório a colega. Pararam todos esperando pelo pecúlio. De certeza que dentro deles apenas diziam:” Vamos despedaçar essa presa.” Procurei por um olhar defensor e nada. Fui percorrido por aquele frio estranho. Puxei pelo bolso, tirei mas 1000 kzs e com receio de que alguém reclamasse, pousei rápido em cima da secretaria da pedinte e escapuli da guilhotina, porem ainda pude ouvir o gargalhar triunfal da matilha.

 Estamos numa sociedade perdidamente, perdida. São carraças que infermam a sociedade.

Dia seguinte e em cumprimento do combinado, as agentes tranquilizaram-me com um serviço personalizado. Muito bom dia meu Sr.- Cumprimentou-me a carraça mor com um sorrio de lés-a-lés. De repente, esqueci-me de toda a crítica do dia anterior, retribuí com outro sorriso a sua saudação. Afinal de contas tristezas não pagam dívidas. E para acrescentar piropei. “ A Sra. Esta um encanto” – Ela corou, agradeceu e ofereceu-me um acento e continuou. “ O seu documento foi assinado mesmo ontem e já lhe entrego.

Recebi o documento, ainda continuamos num diálogo ameno, despedi-me reconfortado. Como a vida é engraçada. Senti-me mal comigo, fiquei com a sensação de que eu é que era o corrupto, ou melhor, eu fazia parte do sistema. Será ou não será? Foi uma lição bem aprendida. Creio bem que é assim que a corrupção funciona. O certo esta errado e vice versa. 

Dirigi-me para a identificação, mostrei a documentação e na maior cara de pau responderam-me que teria de voltar dia seguinte pois que o número previsto para o atendimento do dia já estava  completo. Ainda tentei procurar o amigo polícia porem a debalde.  Pensei comigo, gente séria não tem sabor e saí voado.

No dia seguinte cumpri com os deveres maritais, cheguei a hora em que já havia clareado, não fui para o pessoal e dirigi-me directo ao beco do amigo polícia, deu-me o número e um nome que era o número 5 da lista. O caricato é que os primeiros nomes da lista eram de homens e durante a organização final, as primeiras quatro pessoas eram Sras.

Que vivam para sempre as tropelias policiais. Amém.

Chegou o verificador e foi indagando e esclarecendo ao público necessitado. Quando chegou a minha vez, disse-me que eu precisava de acento de nascimento para acrescer a declaração da polícia. Sabem, berrei a bom gritar. Mais afinal que prestadores de serviços são estes que não têm um placar onde colocam as informações e requisitos necessários aos necessitados? Aludi a uma serie de situações que não se justificavam. O meu barulho era tanto que a porta abriu-se e deu lugar a uma dama distinta, dirigiu-se a mim, perguntou as razões da minha insatisfação? Expliquei-lhe detalhadamente a minha situação. Ela disse-me que eram as condições de acordo a minha situação pois que era pela primeira vez que actualizava o B.I. – Respondi a Sra. Que éramos todos analfabetos, que precisamos de acordar cedo para recebermos informações que um simples papel num mostruário facilitaria a vida de toda gente, ao invés do que estava a viver. Tirariam muita gente do analfabetismo se assim procedessem. Não me valeu para muito a graça, porem ganhei um sorriso da dama.

Tinha trabalho pela frente, corri atrás e fui a 3ª conservatória. Informei-me numa educada e bem apresentada Sra. Que fez-me esquecer os constrangimentos anteriores. Claro que eu já estava dentro do sistema e ela fazia parte dele. Afundou-me o bolso numa situação que seria para semana seguinte reduziu-se a dois dias.

Regressei ao kilamba, já cheio de calos, como bagre em água turva, desenvencilhei-me bem e finalmente consegui tratar o famoso e trabalhoso B.I. Como na altura não haviam cédulas fiquei de receber o B.I dois meses depois. Estava também no finalzinho da minha licença e regressei a mina.

Depois de 4 meses na mina, fui ao sector de identificação do Kilamba para fazer o levantamento do meu famoso e trabalhoso B.I. e informam-me que tinham muitas cédulas para entrega e eu deveria deixar o meu recibo e voltar para lá uma semana depois que era altura em que estavam aprazados os levantamentos. Urrei! Grunhi! Mais afinal de contas estamos em que país? Respondeu-me com muita calma o atendente: Sim caro Sr. Temos muitas cédulas e essa é a forma que achamos para satisfazer a demanda. Informou-me. Não me faz muita falta o meu B.I, porem ficam muitas, muitíssimas situações em aberto. Negligência? Não temos gente comprometida com nada. Os servidores públicos, servem-se ao invés de servir. Há situações anómalas em todos os ramos da sociedade. Não respeitamos o nosso semelhante. Porem todos os Domingos ou Sábados em uníssono falamos aquele refrão no sermão do padre ou pastor:” Saudemos-mo-nos na paz de Cristo.” Entretanto, assim que colocamos o pé fora a nossa hipocrisia ou mesmo ignorância, matumbice, vêm ao de cima. O que é que vamos fazer para dotar de honra, comprometimento com os cidadãos e as instituições os seus prestadores de serviços?

Nas conservatórias de registo, de registo de automóveis, nos notários, nos hospitais, nas escolas públicas durante a fase de matrículas, nos bancos, nas alfandegas, nos serviços de emigração e fronteiras,nos tribunais,  etc, etc.

Um jovem colega meu disse-me “O PAÍS ESTA ASSIM”. Será que vamos engolir isso e vê-lo como normal?

Ajudem pessoal. Será que isso é uma praga incurável?    

GOVERNO CALCULA POUPANÇA DE 830 MILHÕES DE DOLARES EM POUPANÇAS DA FUNÇÃO PÚBLICA.

Não que seja da oposição ou sempre em criticas das políticas do governo, porem como angolano que sou e vendo os muitos erros sucessivos que alguns membros do governo cometem ou melhor se envolvem, deixo aqui o meu humilde conselho e contributo.

  1. Nós trabalhadores ou empregados estamos perdendo mais e mais o poder de compra devido as implicações da crise económica.

  2. Existem empresas públicas que debatem-se com falta de salários e não existe um horizonte temporário pagar sanar essa grande preocupação desses empregados.

  3. Quer este artigo dizer que essa poupança irá reforçar as quebras deixadas pelas receitas do petróleo do 1º semestre?

  4. Quanto ao recadastramento e registo biométrico dos trabalhadores das empresas do estado. Quais são as medidas práticas que o governo ou o executivo já tomou?
  5. Por outro lado o governo prevê empregar novos técnicos nos vários ramos públicos para colmatar o défice de acordo comunicação do executivo. Será que este dinheiro que agora diz-se lucro não será o mesmo que deveria cobrir as futuras vagas.
  6. Salientar aqui que toda essa reflexão é sobre um artigo extraído do site "Verangola", cuja conclusão resulta da analíse dos dados do documento de "REPROGRAMAÇÃO MACRO ECONOMICA DO EXECUTIVO".
  7. Caros amigos contribuam com vosso ponto de vista.

Minha Cassule

A moça tem marca própria.

Boas-Vindas

Prezados amigos, colegas e mais, venho partilhar convosco a criaçao deste blog. Como o próprio título diz, bisbilho sao malambas, factos, situaçoes reais e nao so como conselhos, pensamentos e acçoes de inter-ajuda para a nossa comunidade. Estao abertas todas as contribuiçoes positivas e nao só, por formas a termos um sitio em que podemos desabafar, expressar o nosso pensamento.

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